Com a criminalidade a aumentar em Portugal, os assaltos a habitações tornaram-se cada vez mais frequentes, mas nem todos os subscritores de seguros multirriscos habitação dispõem da cobertura de furto ou roubo para o recheio das suas casas. Saiba como pode reforçar a protecção da sua casa no dia-a-dia e também em tempo de férias.
As notícias que dão conta de assaltos a habitações espalham-se pelas páginas dos jornais à medida que a conjuntura económica e financeira do país acentua as dificuldades sociais por que o país atravessa. Os furtos e roubos começam a constar na lista de coberturas mais accionadas nas apólices de seguros Multirriscos Habitação, alertando para a importância de dispor de coberturas que ofereçam uma protecção completa nesta altura de maior exposição à criminalidade que ataca habitações à procura de bens de valor. Dinheiro, jóias, obras de arte, mas também electrodomésticos e equipamento electrónico estão cada vez mais na mira dos assaltantes, acentuando as vulnerabilidades dos bens que compõem o recheio das habitações. Dados do mercado segurador revelam, no entanto, que o aumento da procura de seguros Multirriscos Habitação em 2011 foi de apenas 1% face ao ano passado, "o que poderá significar a falta de conhecimento da importância do seguro Multirriscos Habitação, o desconhecimento da existência deste seguro ou a expressão negativa que o prémio do seguro pode ter no orçamento das famílias", considera Susana Pascoal, directora de Marketing e Inovação da Lusitania, seguradora do grupo Montepio que optou por incluir automaticamente a cobertura de Furto ou Roubo em toda a oferta de seguros multirriscos habitação que comercializa. "Face à presente conjuntura económica e à actuação num mercado competitivo, com consumidores cada vez mais informados e exigentes, é fundamental conhecer as suas reais necessidades e motivações, de forma a oferecer soluções de segurança diferenciadoras e ajustadas", justifica Susana Pascoal, sublinhando que a inclusão desta cobertura na apólice permite "que os clientes vivam o seu dia-a-dia sem inquietações, protegendo eficazmente a sua habitação, bens, assim como a sua família, empregados e animais domésticos". É perante cenários como este que as companhias de seguros vêem elevada a importância do seu contributo na sensibilização e esclarecimento dos seus clientes, refere Gonçalo Baptista, director da Hiscox Portugal. "As seguradoras têm informação estatística privilegiada que podem e devem colocar ao serviço dos seus clientes. Num mercado onde cada vez mais se tem competido em preço em detrimento de outros factores, é precisamente neste tipo de serviços adicionais que pode haver alguma diferenciação, com benefício para ambas as partes", destaca Gonçalo Baptista, lembrando também que, "ao darem aconselhamento especializado, as seguradoras estão a fidelizar clientes, porque estão a contribuir para o seu bem-estar e, neste caso particular, também para a sua segurança". Enquanto responsável pela seguradora que se dedica à protecção de recheios de habitação de grande valor, actuando, sobretudo, junto das classes média-alta e alta, Gonçalo Baptista tem visto a criminalidade afectar em grande medida este segmento de clientes ao longo dos anos e, também por isso, considera que os clientes particulares dispõem actualmente de um nível de protecção superior àquele de que dispunham há alguns anos. "Mesmo nos casos em que não há preocupação grande com a protecção do património, a segurança pessoal é uma questão muito sensível e as pessoas, geralmente, não gostam de correr esse tipo de riscos", salienta o director da Hiscox. Ainda assim, Gonçalo Baptista lamenta que ainda não se verifique, por parte dos clientes, uma grande evolução no reconhecimento do papel reservado às seguradoras nesta matéria. "Tipicamente não procuram um conselho (embora o respeitem, na maioria das vezes, quando o damos por nossa iniciativa), mas abordam-nos antes no sentido de perguntar que descontos podem obter com a segurança adicional, quase parecendo que estão mais preocupados com o que vão pagar do que com a sua segurança", conclui o director da Hiscox. Como proteger a sua casa? Dispostas a alertar os seus clientes para medidas adicionais de protecção que podem implementar nas suas habitações, as seguradoras vão reunindo conselhos vários para actuar ao nível preventivo, evitando que o sinistro aconteça e acautelando a eventual necessidade do pagamento de indemnizações. "O principal conselho, como noutras áreas, é que procurem entidades especializadas. Em questões de segurança, pequenos detalhes fazem muitas vezes a diferença entre um assalto bem sucedido ou não, e é essencial que os especialistas façam uma avaliação detalhada para identificarem os pontos mais vulneráveis", destaca Gonçalo Baptista. "O barato costuma sair caro e esta é uma área onde os benefícios da prevenção excedem, em muito, os prejuízos potenciais, caso a segurança falhe", lembra. No que respeita aos seguros propriamente ditos, a Lusitania aconselha uma revisão frequente dos valores e coberturas previstos na apólice, nomeadamente para que o cliente confirme com regularidade se os capitais que contratou se adequam ao real valor dos bens que estão em casa, já que, em caso de subvalorização, a seguradora também não poderá indemnizar o cliente na totalidade do prejuízo. Mas há mais conselhos, diz Susana Pascoal. "Ao nível da protecção, recomendamos porta blindada e janelas devidamente protegidas ou com fechaduras resistentes e a instalação de um alarme contra intrusão ligado a uma empresa de vigilância", enumera. A directora de Marketing da Lusitania lembra ainda que, em tempo de férias, devem ser tomadas medidas adicionais de protecção. "No sentido de não deixar visível a ausência, deve solicitar que alguém recolha o correio regularmente, não utilizar o voicemail para indicar a sua ausência, evitar deixar objectos de valor ou dinheiro em casa, muito menos, à vista, e ainda fechar a água, o gás e desligar televisores, computadores e outros aparelhos eléctricos da corrente".